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Por Demetrius de Castro Martins Silveira
Presidente do SINDISSÉTIMA
Servidoras e servidores, chegamos a um momento decisivo da nossa história. O segundo turno das eleições presidenciais não se resume a uma escolha partidária; trata-se do futuro das nossas carreiras, da preservação da nossa estabilidade, da dignidade das nossas aposentadorias e da própria sobrevivência do serviço público de qualidade no Brasil.
Como presidente do SINDISSÉTIMA, assumo com clareza e responsabilidade o dever de orientar a nossa categoria neste pleito: a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva é o único caminho capaz de assegurar os direitos dos trabalhadores do Judiciário Federal.
Não se trata de adesão cega a um projeto político, mas uma escolha consciente para assegurar que continuaremos tendo uma mesa de negociação aberta, reposições inflacionárias e a preservação do concurso público e da estabilidade.
Para tomarmos essa decisão, basta olharmos para os fatos e para os dados concretos do nosso passado recente.
Durante os primeiros mandatos de Lula, a aprovação do Plano de Cargos e Salários das carreiras do PJU por meio da Lei Federal nº 11.416/2006 garantiu ganhos salariais reais substanciais. No período de 2003 a 2010, os reajustes e reestruturações concedidos resultaram em um aumento acumulado nas tabelas remuneratórias superior a 50%, ao passo que o IPCA no mesmo intervalo acumulou cerca de 40% (segundo dados do IBGE), assegurando ganho real acima da inflação para a nossa categoria. Além disso, no atual mandato, Lula sancionou as Leis nº 14.523/2023 e nº15.293/2025, que garantiram recomposição acumulada de 19,25% parcelada entre 2023 e 2025, e reajuste de 8% em julho de 2026.
Importa ressaltar que Lula reabriu as mesas permanentes de negociação, restabeleceu os canais institucionais de escuta e negociação coletiva e garantiu a sanção das recomposições salariais que contiveram as perdas do período de congelamento
Por outro lado, o que vivenciamos sob o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) foi o mais absoluto desrespeito à nossa categoria. Foram quatro anos de reajuste zero (0%) e congelamento salarial sistemático, acumulando uma perda inflacionária de mais de 26% no período (IPCA/IBGE) sem qualquer compensação ou canal de negociação aberto pelo Poder Executivo.
Hoje, a ameaça se renova de forma ainda mais agressiva. As propostas que sustentam a campanha de Flávio Bolsonaro deixam explícito o plano para o serviço público: o corte drástico de despesas com pessoal, a substituição de servidores por inteligência artificial em processos de trabalho, o aumento desenfreado de contratações temporárias e a ampla flexibilização da terceirização. Esse projeto não visa a modernização do Estado, mas sim o esvaziamento das carreiras públicas, a precarização das condições de trabalho e a liquidação das garantias constitucionais que protegem o cidadão e o servidor.
O SINDISSÉTIMA respeita profundamente a pluralidade de ideias e as convicções políticas de cada trabalhador da nossa casa. Sabemos que o momento eleitoral desperta paixões e diferentes visões de mundo. Sabemos que muitos colegas do PJU possuem visões críticas ao cenário político atual ou preferências por diferentes modelos de gestão econômica. Isso é legítimo e faz parte da democracia.
Contudo, como dirigente deste ente sindical, tenho o dever de alertar: eleição presidencial para o servidor público é uma decisão sobre condições de trabalho e subsistência.
O custo de uma má escolha recairá diretamente sobre nós, independentemente da nossa ideologia.
O momento exige coragem e lucidez. Defender o voto em Lula no segundo turno é defender a nossa dignidade, a continuidade das nossas carreiras e a prestação da Justiça de forma autônoma e eficiente ao povo brasileiro.
Não permita que a sua estabilidade se transforme em uma lembrança do passado, nem que a sua aposentadoria seja apenas um sonho de um futuro que nunca chega!
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